"Levantai-vos para promover a Minha Causa e enaltecer Minha Palavra entre os homens." (Bahá'u'lláh, O Kitáb-i-Aqdas)
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segunda-feira, 18 de junho de 2012
sexta-feira, 15 de junho de 2012
PALAVRAS DE SABEDORIA
PALAVRAS DE SABEDORIA
Reveladas por
Bahá'u'lláh
A
origem de todo o bem é a confiança
em Deus a submissão ao Seu mando, e o contentamento
com Sua Santa Vontade e Seu Arbítrio.
A essência da sabedoria é o temor de Deus, o medo de Seu flagelo e a apreensão de Sua justiça e Seu decreto.
A essência da religião consiste em se dar testemunho daquilo que o Senhor revelou e seguir o que Ele ordenou em Seu poderoso Livro.
A origem de toda a glória está em se aceitar qualquer coisa que o Senhor tenha concedido, e se contentar com aquilo que Deus ordenou.
A essência do amor é que o homem volva o coração para o Bem-Amado, se desprenda de tudo exceto de Deus e nada deseje salvo o que for o desejo de seu Senhor.
A verdadeira come-moração consiste em se mencionar o Senhor, Alvo de todo louvor, e se esquecer de tudo salvo Dele.
A verdadeira segurança é que o servo siga sua profissão ou vocação no mundo, se apoie no Senhor, nada busque senão Sua graça, desde que em Suas mãos está o destino de todos os Seus servos.
A essência do desprendimento é que o homem volva a face para as cortes do Senhor, entre em Sua Presença, contemple Seu semblante e dê testemunho diante Dele.
A essência da compreensão é que o homem ates-te sua pobreza e se submeta à Vontade do Senhor, o Soberano, o Benévolo, o Onipotente.
A origem da coragem e do poder está na promoção da Palavra de Deus e na constância em Seu amor.
A essência da caridade é que o servo relate as bençãos de seu Senhor e Lhe dê graças em todos os tempos e sob todas as condições.
A essência da riqueza é o amor por Mim. Quem me ama é o possuidor de todas as coisas, e aquele que não me tem amor é realmente dos pobres e necessitados. Eis o que o Dedo da Glória e do Esplendor revelou...
A essência da fé está na escassez de palavras e na abundância de ações; a morte daquele cujas palavras excedem os atos, é melhor que sua vida.
A origem de todo o mal é que o homem se afaste de Seu Senhor e prenda o coração às coisas ímpias.
O fogo mais ardente está em se duvidar dos sinais de Deus, disputar futilmente com aquilo que Ele revelou, negá-Lo e portar-se orgulhosamente diante Dele.
A origem de toda a erudição é o conhecimento de Deus - exaltada seja Sua Glória - e este não pode ser atingido a não ser através do conhecimento de Seu Manifestante Divino.
A essência do rebaixamento está em se apartar da sombra do Misericordioso e buscar o amparo do Ente Mau.
A origem do erro é a descrença em Deus Uno e Verdadeiro, a confiança em outra coisa senão Nele, e o afastamento de Seu Decreto.
O verdadeiro prejuízo é para aquele que passou seus dias em completa ignorância de seu próprio ser verdadeiro.
A essência de tudo o que Nós te temos revelado é a Justiça; é que o homem se deve livrar das vãs fantasias e da imitação, discernir com os olhos da unidade Sua gloriosa obra, e averiguar todas as coisas com vista perscrutadora.
Assim Nós te instruimos, manifestando-te palavras de sabedoria, a fim de que sejas grato ao Senhor, teu Deus, e nisto te glories entre todos os povos.
terça-feira, 13 de março de 2012
COMENTÁRIO SOBRE O DÉCIMO PRIMEIRO CAPÍTULO DA REVELAÇÃO DE SÃO JOÃO (Apocalipse 11)
No começo do décimo primeiro capítulo da Revelação de São João está escrito:
"E deu-se-me uma cana semelhante a uma vara, e esteve lá o anjo, dizendo: - Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele fazem as suas adorações.
"Mas o átrio, que está fora do templo, deixa-o de fora, e não o meças, porque ele foi dado aos gentios, e eles hão de pisar com os pés a cidade santa por quarenta e dois meses."
Esta cana é um homem perfeito que se assemelha a uma cana, e a maneira de sua semelhança é esta; quando o interior de uma cana está vazio e livre de toda matéria, pode produzir belas melodias; e como o som e as melodias não provêm da cana, mas sim, do flautista que a toca, também o coração desse bendito ser está vazio e livre de tudo menos de Deus, puro e isento dos laços de todas as condições humanas, e é o companheiro do Espírito Divino. O que ele diz não procede dele mesmo mas do verdadeiro flautista, e é uma inspiração divina. É por isso que ele é comparado a uma cana; e esta cana é como uma vara, isto quer dizer, é uma ajuda para todo incapacitado, o sustentáculo dos seres humanos. É a vara do Pastor Divino com a qual Ele guarda Seu rebanho e o conduz pelos pastos do Reino.
Então se diz: "E esteve lá o anjo, dizendo: Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele fazem as suas adorações"; quer isto dizer, comparar e medir; pela medição se descobre a proporção. Assim disse o anjo: Compara o templo de Deus e o altar e aqueles que aí oram, isto é, investiga sua verdadeira condição, descobre em que grau estão, quais são suas qualidades, perfeições, conduta, e que atributos possuem, e informa-te dos mistérios dessas almas santas que habitam o Santo dos Santos, em pureza e santidade.
"Mas o átrio que está fora do templo, deixa-o de fora, e não o meças, porque ele foi dado aos gentios."
No princípio do sétimo século depois de Cristo, quando Jerusalém foi conquistada, o Santo dos Santos foi preservado exteriormente; isto quer dizer, a casa que Salomão construiu; mas fora do Santo dos Santos o átrio foi dado aos gentios. "E eles hão de pisar com os pés a cidade santa por quarenta e dois meses", isto é, os gentios haverão de governar e controlar Jerusalém por quarenta e dois meses, significando mil duzentos e sessenta dias; e como cada dia significa um ano, assim isso quer dizer mil e duzentos e sessenta anos, o que é a duração do ciclo do Alcorão. Pois nos textos do Livro Sagrado, cada dia é um ano; assim como diz no quarto capítulo de Ezequiel, versículo 6: "Tomarás sobre ti a iniqüidade da casa de Judá por quarenta dias; é um dia que eu te dei por cada ano."
Estas profecias são desde o tempo do aparecimento do Islã, quando Jerusalém foi pisada com os pés, o que significa que foi desonrada. Mas o Santo dos Santos foi preservado, protegido e respeitado; e esses acontecimentos continuaram até 1260. Estes mil duzentos e sessenta anos se referem à manifestação do Báb (1) de Bahá'u'lláh, o que ocorreu no ano 1260 da Héjira de Maomé, e como o período de mil duzentos e sessenta anos já findou, Jerusalém, a Cidade Santa, está começando agora a prosperar, tornando-se populosa e florescente. Qualquer pessoa que viu Jerusalém há sessenta anos passados e a vê agora, deve reconhecer quanto tem crescido e prosperado e como está sendo outra vez honrada.
É este o significado exterior destes versículos da Revelação de São João, mas eles têm outra explicação e um sentido simbólico, que é o seguinte: a Lei de Deus se divide em duas partes. Uma é a base fundamental que abrange todas as coisas espirituais: isto é, se refere às virtudes espirituais e qualidades divinas, e é imutável, inalterável; é o Santo dos Santos, que é a essência da Lei de Adão, Noé, Abraão, Moisés, Cristo, Maomé, do Báb e de Bahá'u'lláh, a qual dura sempre, sendo estabelecida em todos os ciclos proféticos. Jamais será ab-rogada, pois é verdade espiritual e não material; é fé, conhecimento, certeza, justiça, piedade, retidão, integridade, amor a Deus, paz interior, pureza, desprendimento, humildade, submissão, paciência e constância. Tem compaixão do pobre, defende o opresso, mostra generosidade ao indigente e levanta o caído.
Estas qualidades divinas, estes mandamentos eternos, jamais serão abolidos, mas, sim, durarão, estabelecendo-se firmemente para sempre. Estas virtudes da humanidade renovam-se em cada um dos vários ciclos, pois no fim de cada ciclo, a Lei espiritual de Deus – isto quer dizer, as virtudes humanas – desaparece, persistindo apenas a forma. Assim entre os judeus, no fim do ciclo de Moisés, que coincide com a manifestação de Cristo, desapareceu a Lei de Deus, restando apenas uma forma sem espírito. Do Santo dos Santos foram privados; mas o átrio de fora de Jerusalém – expressão esta usada para indicar a forma da religião – caiu nas mãos dos gentios. Do mesmo modo, os princípios fundamentais da religião de Cristo, os quais são as maiores virtudes da humanidade, desapareceram, restando a forma nas mãos do clero, dos padres. Igualmente desapareceu a base da religião de Maomé, mas sua forma permanece nas mãos dos ulemás oficiais.
Esses fundamentos da Religião de Deus, que são espirituais e as virtudes da humanidade, não podem ser ab-rogados; são irremovíveis, eternos, e se renovam no ciclo de cada Profeta.
A segunda parte da Religião de Deus, referente ao mundo material, a qual inclui jejum, formas de oração, casamento e divórcio, a abolição da escravidão, processos legais, transações, indenizações por assassínio, violência, roubo e ofensas – esta parte da Lei de Deus que trata das coisas materiais, é modificada em cada ciclo profético de acordo com as necessidades do tempo.
Numa palavra, o que significa o termo Santo dos Santos é aquela Lei espiritual que nunca há de ser alterada ou rescindida, enquanto que Cidade Santa significa a lei material, lei esta sujeita à anulação. E esta lei material, descrita como a Cidade Santa, ia ser pisada sob os pés por mil duzentos e sessenta anos.
"E eu darei poder às minhas duas testemunhas, e, vestidas de saco, profetizarão por mil e duzentos e sessenta dias". Essas duas testemunhas são Maomé, o Mensageiro de Deus, e Áli, filho de Abu Talib.
No Alcorão está escrito que Deus se dirigiu a Maomé, o Mensageiro de Deus, dizendo: "Fizemos de vós uma Testemunha, um Arauto de boas novas e um Admoestador." Quer isso dizer, Nós te estabelecemos como a testemunha, o portador de boas novas e como quem adverte sobre a ira de Deus. (1) O significado de "testemunha" é aquele por cujo testemunho coisas podem ser verificadas. Os mandamentos dessas duas testemunhas seriam cumpridos mil duzentos e sessenta dias, sendo que cada dia significa um ano. Ora, Maomé foi a raiz, e Ali o ramo, assim como Moisés e Josué. Está escrito que eles "estão vestidos de saco", significando que, aparentemente, seriam vestidos em roupas velhas, e não novas; em outras palavras, de início, não possuiriam eles esplendor algum aos olhos do povo, nem pareceria nova a sua Causa; pois a Lei espiritual de Maomé corresponde à de Cristo no Evangelho, e a maioria de Suas leis relativas às coisas materiais corresponde às do Pentateuco. Eis o que significa a vestimenta velha.
Depois se diz: "Estes são as duas oliveiras e os dois candeeiros, postos diante do Deus da terra". Essas duas almas são comparadas a oliveiras porque naquele tempo todas as lâmpadas se acendiam com azeite de oliva. Significa, pois, duas pessoas que irradiam aquele espírito da sabedoria de Deus, a causa da iluminação do mundo. Essas luzes de Deus haveriam de brilhar e resplandecer, sendo assim semelhantes a dois candeeiros – o candeeiro é onde reside a luz e donde se irradia. Do mesmo modo cintilaria a luz que guia, emitida por essas almas iluminadas.
Em seguida está escrito: "Estão postos diante de Deus", o que significa que estão a serviço de Deus, educando Suas criaturas, tais como as bárbaras tribos nômades da península árabe, as quais eles educaram de tal maneira que naquele tempo alcançaram o mais alto grau de civilização, tornando-se mundiais sua fama e seu renome.
"Se alguém, pois, lhes quiser fazer mal, sairá fogo das suas bocas, que devorará os seus inimigos." Quer isso dizer que ninguém lhes poderia resistir; se uma pessoa quisesse menosprezar seus ensinamentos e sua Lei, tal pessoa seria cercada e destruída por esta mesma Lei que procedia de suas bocas, e todo aquele que tentasse ofendê-los e lhes mostrar antagonismo e ódio, seria exterminado por um mandamento que sairia de suas bocas. E assim aconteceu: todos os seus inimigos foram vencidos, postos em fuga e aniquilados. De um modo tão evidente Deus os ajudou.
Está escrito em seguida: "Eles têm poder de fechar o céu para que não chova, pelo tempo que durar sua profecia", o que significa que nesse ciclo seriam como reis. A Lei e os ensinamentos de Maomé, e as explicações e os comentários de Ali, são graças celestiais; quando Eles desejam dispensá-las, têm o poder de assim fazer. Se não quiserem, a chuva não cairá, sendo que a chuva simboliza graças.
Diz-se depois: "Têm poder sobre a água, para a converter em sangue", significando ser a condição de profeta própria de Maomé assim como o fora de Moisés, e ser o poder de Ali igual ao de Josué: se assim quisessem, poderiam converter a água do Nilo em sangue, para os egípcios e aqueles que os negavam. Quer isso dizer: o que era causa de sua vida, tornar-se-ia causa de sua morte, devido a sua ignorância e seu orgulho. Assim a soberania, a riqueza e o poder de Faraó e de seu povo – fontes da vida da nação – em conseqüência de sua hostilidade, rejeição e arrogância, tornaram-se causa de sua morte – foram dispersos, degradados, destituídos, aniquilados. Essas duas testemunhas têm, pois, o poder de destruir as nações.
E em seguida: "E de ferir a terra com todo o gênero de pragas, todas as vezes que quiserem", o que significa que também teriam o poder e a força material necessária para educar os iníquos e aqueles que são opressores e tiranos; pois a essas duas testemunhas Deus concedeu tanto o poder exterior como o interior, para que pudessem educar e corrigir os árabes nômades, tão ferozes, sanguinários e tirânicos, semelhantes a animais de rapina.
"E depois de eles terem acabado de dar o seu testemunho," quer dizer: quando tiverem desempenhado o que lhes fora ordenado, havendo transmitido a Mensagem Divina, promovido a Lei de Deus e propagado os ensinamentos celestiais, a fim de que se manifestassem nas almas os sinais da vida espiritual, se irradiasse a luz das virtudes do mundo humano, até ser realizado entre as tribos nômades um desenvolvimento completo.
A "fera que sobe do abismo fará contra eles guerra e vencê-los-á e matá-los-á" se refere a Bani-Umayya, (1) que os atacou do abismo do erro e se levantou contra a religião de Maomé e contra a realidade de Ali, ou seja, contra o amor de Deus.
Diz: "A fera fará contra eles (essas duas testemunhas) guerra" – isto é, uma guerra espiritual, o que significa que "a fera" agiria em inteira oposição aos ensinamentos, costumes e instituições dessas duas testemunhas, a tal ponto que as virtudes e perfeições difundidas pelo poder dessas testemunhas entre os povos e tribos se desvaneceriam completamente, e a natureza animal e os desejos carnais venceriam. Assim, pois, a guerra vitoriosa travada contra eles por essa fera, quer dizer: a escuridão do erro proveniente dessa fera haveria de exercer domínio sobre os horizontes do mundo e matar aquelas duas testemunhas, ou, em outras palavras, destruiria a vida espiritual por elas difundida em meio à nação e eliminaria totalmente as leis e ensinamentos divinos, espezinhando a Religião de Deus e nada deixando, pois, senão um corpo inanimado, sem espírito.
"E os seus corpos jazerão estirados nas praças da grande cidade que se chama espiritualmente Sodoma e Egito, onde também o nosso Senhor foi crucificado." "Os seus corpos" significam a Religião de Deus e "nas praças" quer dizer à vista do público. O significado de "Sodoma e Egito", o lugar "onde também o nosso Senhor foi crucificado" é esta região da Síria, e especialmente Jerusalém, onde os Bani-Umayya tinham então seus domínios; e foi aqui que primeiro desapareceram a Religião de Deus e os ensinamentos divinos, restando assim um corpo sem espírito. "Seus corpos" representam a Religião de Deus, a qual se assemelha a um corpo morto, destituído de espírito.
"E os das tribos, e povos, e línguas e nações verão os corpos deles estirados por três dias e meio, e não permitirão que os seus corpos sejam postos em sepulcros."
Como se já explicou, na terminologia dos Livros Sagrados três dias e meio significam três anos e meio, os quais são quarenta e dois meses, ou sejam mil e duzentos e sessenta dias; e como cada dia, segundo o texto do Livro Sagrado, significa um ano, isso quer dizer que por mil e duzentos e sessenta anos, isto é, durante o ciclo do Alcorão, as nações, tribos e raças olhariam para seus corpos, ou fariam um espetáculo da Religião de Deus. Embora não agissem de acordo com ela, não permitiriam, todavia, que seus corpos – ou seja a Religião de Deus – fossem postos em sepulcros. Quer isto dizer: aparentemente, adeririam à Religião de Deus não permitindo que desaparecesse completamente de seu meio, nem que seu corpo fosse de todo destruído e aniquilado. Na realidade, porém, haveriam de abandoná-la, embora preservando seu nome e sua comemoração exteriormente.
Essas "tribos, povos e nações" significam aqueles que se reúnem à sombra do Alcorão e não permitem que a Causa de Deus e Sua Lei sejam exteriormente destruídas, aniquiladas por completo, pois ainda existem entre eles oração e jejum, embora tenham desaparecido os princípios fundamentais da Religião de Deus, ou sejam a moralidade e a conduta, e o conhecimento dos mistérios divinos; extinguiu-se a luz das virtudes do mundo humano, as quais dependem do amor e do conhecimento de Deus, enquanto as trevas da tirania, da opressão, dos desejos e paixões satânicas, se tornaram vitoriosas. O corpo da Lei de Deus, semelhante a um cadáver, foi exposto à vista pública durante mil duzentos e sessenta dias, sendo cada dia contado como um ano, e este período é o ciclo de Maomé.
Os povos perderam seu direito a tudo o que essas duas pessoas haviam estabelecido, ou seja à base da Lei de Deus, e destruíram as virtudes do mundo humano – isto é, as dádivas divinas e o espírito dessa Religião – a tal ponto que desapareceram de seu meio a veracidade, a justiça, o amor, a união, a pureza, a santidade, o desprendimento e todas as qualidades divinas. Apenas persistiam na religião a prece e o jejum, sendo que por mil duzentos e sessenta anos, enquanto durava o ciclo do Furqan (1) continuou assim. Foi como se essas duas pessoas estivessem mortas, restando-lhes apenas o corpo, sem o espírito.
"E os habitantes da terra se alegrarão sobre eles, e farão festas, e mandarão presentes uns aos outros, porque estes dois profetas tinham atormentado os que habitavam sobre a terra." "Os habitantes da terra" significam as outras nações e raças, como os povos da Europa e da Ásia longínqua, pois quando viram a completa transformação no caráter do Islã – havendo sido abandonada a Lei de Deus e perdidas as virtudes, o zelo e a honra – eles se alegraram e se encheram de júbilo porque o povo do Islã em conseqüência de sua corrupção moral, seria vencido por outras nações. Assim veio isto a se realizar. Observai a degradação desse povo que atingira o cume do poder; vede como está agora espezinhado.
Os outros povos "mandarão presentes uns aos outros". Significa isso que haveriam de se ajudar uns aos outros, pois "estes dois profetas tinham atormentado os que habitavam sobre a terra" – isto é, venceram os outros povos e nações do mundo e os subjugaram.
"Mas depois de três dias e meio o espírito de vida entrou neles, da parte de Deus, e eles se levantaram sobre seus pés, e, dos que os viram, se apoderou um grande temor." Três dias e meio, como já mostramos, significam mil duzentos e sessenta anos. As duas pessoas cujos corpos jaziam sem espírito são os ensinamentos e a Lei estabelecidos por Maomé – ensinamentos estes que Ali promoveu mas que vieram depois a perder sua realidade, conservando apenas a forma. O espírito entrou novamente neles; isto é, se estabeleceram mais uma vez aqueles ensinamentos fundamentais. Em outras palavras, a espiritualidade da Religião Divina se transformara em materialidade, as virtudes em vícios. Ódio substituíra o amor a Deus; treva, a iluminação. Qualidades divinas se haviam mudado em satânicas – justiça em tirania, clemência em inimizade, sinceridade em hipocrisia, verdade em erro e pureza em sensualidade. Então, após três dias e meio, ou sejam mil duzentos e sessenta anos, segundo a terminologia dos Livros Sagrados, esses ensinamentos divinos, essas virtudes celestiais, perfeições e graças espirituais, foram renovados com o aparecimento do Báb e pela devoção de Janabi Quddus.(1)
Os sopros da santidade difundiram-se e a luz da verdade resplandeceu; veio a primavera ressuscitadora e o amanhecer da iluminação. Aqueles dois corpos inanimados tornaram-se vivos, ao surgirem estes dois grandes Seres, fundador e promotor, semelhantes a dois candeeiros, pois iluminaram o mundo com a luz da verdade.
"E ouviram uma grande voz do céu que lhe dizia: Subi para cá. E subiram ao céu" – o que significa que ouviram do céu invisível a voz de Deus, dizendo: "Já cumpristes plenamente com vosso dever de transmitir os ensinamentos e as boas-novas; destes Minha Mensagem ao povo e levantastes o chamado de Deus, completando assim vossa missão. Agora, como Cristo, deveis sacrificar a vida pelo Bem-Amado, deveis sofrer o martírio. E esse Sol da Realidade e essa Lua da Orientação, (1) ambos, se puseram no horizonte do maior martírio, assim como fizera Cristo, e ascenderam ao Reino de Deus.
"E os viram os inimigos deles" – isto é, muitos de seus inimigos depois de terem presenciado seu martírio, perceberam sua sublimidade e excelsa virtude, e assim deram testemunho de sua grandeza e sua perfeição.
"E naquela hora sobreveio um grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade; e no terremoto foram mortos sete mil homens." Ocorreu este terremoto em Shíráz após o martírio do Báb. A cidade estava em caos, sendo destruídas muitas pessoas. Houve grande agitação, também, em conseqüência de cólera e outras moléstias, fome e aflições jamais vistas.
"E os sobreviventes foram atemorizados e deram glória ao Deus do céu." Quando ocorreu o terremoto em Fars, todos que sobreviveram lamentaram dia e noite, suplicando a Deus e Lhe dando glória. Tão agitados e atemorizados estavam que lhes era impossível dormir ou descansar à noite.
"É passado o segundo ai, e eis aqui o terceiro, que cedo virá." O primeiro ai é o aparecimento do Profeta Maomé – paz seja com Ele! O segundo ai é o do Báb – a Ele glória e louvor! O terceiro ai é o grande dia da manifestação do Senhor dos Exércitos e do esplendor da Beleza do Prometido. A explicação deste termo, "ai", é mencionada no trigésimo capítulo de Ezequiel, versículos 1, 2 e 3, onde diz: "E foi-me dirigida a palavra do Senhor, a qual dizia: "Filho do homem, profetiza e dize: Isto diz Senhor Deus: Daí urros, ai, ai do dia; porque o dia está perto, e se apropinqua o dia do Senhor". É certo, pois que o dia do ai é o dia do Senhor, pois neste dia ai é para os desatentos, ai é para os pescadores, ai é para os ignorantes. Por isso se diz: "É passado o segundo ai, e eis aqui o terceiro, que cedo virá!" Este terceiro ai é o dia da manifestação de Bahá'u'lláh, o Dia de Deus, o que é próximo ao dia do aparecimento do Báb.
"E o sétimo anjo tocou a trombeta, e ouviram-se no céu grandes vozes que diziam: Os reinos deste mundo passaram a ser os reinos de nosso Senhor e de Seu Cristo; e Ele reinará para sempre e sempre."
O sétimo anjo é um homem dotado de atributos celestiais, que se levantará manifestando essas qualidades e um caráter celestial. Vozes se farão ouvir: o aparecimento do Manifestante Divino será proclamado e difundido. No dia em que se manifestar o Senhor dos Exércitos, ou seja na época do ciclo divino do Onipotente – época esta que todos os livros e escritos dos Profetas prometem – neste Dia de Deus, será estabelecido o Reino Espiritual, Divino, e renovado assim o mundo. Um espírito novo insuflar-se-á no corpo da criação; virá a estação da primavera divina, quando cairá chuva das nuvens da misericórdia, brilhará o sol da realidade, brisas ressuscitadoras soprarão, vestes novas adornarão o mundo humano e a superfície da terra será um paraíso sublime. A humanidade será educada: desaparecerão guerras, disputas, brigas e malignidade, sendo substituídas por veracidade, justiça, honra e devoção a Deus; predominarão no mundo união, amor e fraternidade, e Deus reinará para sempre. Quer isso dizer que será estabelecido o Reino Espiritual e Eterno. É assim o Dia de Deus. Pois todos os dias passados foram os dias de Abraão, Moisés e Cristo, ou dos outros Profetas, mas este é o Dia de Deus, porque nele se levantará o Sol da Realidade em plena glória.
"E os vinte e quatro anciões que diante de Deus estavam assentados nas suas cadeiras, se prostaram sobre os seus rostos e adoraram a Deus, dizendo:
"Graças Te damos, Senhor Deus Todo-poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir; por haveres recebido o Teu grande poderio e entrado no Teu Reino."
Em cada ciclo foram doze os guardiões e almas santas. Assim Jacob teve doze filhos; no tempo de Moisés, houve doze chefes das tribos; no tempo de Cristo, doze apóstolos; e no tempo de Maomé houve doze Imames. Mas nesta manifestação gloriosa, há vinte e quatro, o dobro do número dos outros, pois a grandeza desta manifestação assim requer. Estas almas santas estão na presença de Deus, sentadas em seus próprios tronos; significando isto que reinam eternamente.
Essas vinte e quatro grandes pessoas, embora estejam sentadas nos tronos do domínio eterno, adoram, no entanto, o Manifestante universal, quando aparece, e são humildes e submissos, dizendo, "Graças Te damos, Senhor Deus Todo-poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir; por haveres recebido o Teu grande poderio e entrado no Teu Reino." Quer isso dizer: Tu emitirás todos os Teus ensinamentos, reunirás todos os povos da terra à Tua sombra e abrigarás todos os homens sob uma só tenda. Embora seja isso o Eterno Reino de Deus, e Ele tenha possuído sempre e ainda possua um Reino, o significado aqui de "Reino" é a manifestação Dele Próprio (1) e Ele dará todas as leis e todos os ensinamentos que são o espírito do mundo humano e da vida eterna. E este Manifestante universal vencerá o mundo com poder espiritual e não por meio de guerra e combate; fará isso com paz e tranqüilidade e não pela espada ou por qualquer arma. Estabelecerá este Reino Celestial por meio do amor verdadeiro, e não pelo poder da guerra. Com bondade e retidão, promoverá Ele esses ensinamentos divinos, e não recorrendo à força ou crueldade. A tal ponto educará as nações e raças que, apesar de suas várias condições, seus costumes e caracteres diferentes, suas religiões e origens étnicas diversas, todas, assim como diz a Bíblia, semelhantes ao lobo e o carneiro, ao leopardo e o cabrito, e à criança de peito e a serpente, se tornarão companheiras e amigas. Serão inteiramente removidas as lutas entre raças, as divergências de religião e as barreiras entre nações, havendo todos de se reconciliar e atingir perfeita união à sombra da Árvore Bendita.
"E as gentes se irritaram", pois Teus ensinamentos se opõem às paixões dos outros povos; e "chegou a Tua ira", isto é, todos sofrerão prejuízo evidente; porque não seguem Teus preceitos, conselhos e ensinamentos, serão privados de Tua misericórdia eterna e velados à luz do Sol da Realidade.
"E o tempo de serem julgados os mortos" significa ter vindo o tempo em que os mortos – ou sejam os privados do espírito do amor de Deus e da santa vida eterna – serão julgados com justiça, isto é, levantar-se-ão para receber o que merecem. Ele tornará evidente a realidade de seus segredos, mostrando como é baixa sua condição no mundo existente, e que estão, realmente, sob o domínio da morte.
"E de dar o galardão aos profetas Teus servos, e aos santos e aos que temem o Teu Nome, aos pequenos e aos grandes." Isto é: Ele distinguirá os retos com infinitas graças, fazendo-os brilhar no horizonte da honra eterna, assim como as estrelas do céu. Ajudá-los-á dotando-os de conduta e ações que sejam a luz do mundo humano, o meio de guiar a humanidade e lhe conceder a vida eterna no Reino Divino.
"E de exterminar os que corromperam a terra" significa que Ele privará totalmente os desatentos; pois estará manifesta a cegueira dos cegos, como também a visão dos que vêem. A ignorância do povo do erro será reconhecida, enquanto se tornarão evidentes os conhecimentos e a sabedoria do povo guiado. Assim, pois, serão destruídos os destruidores.
"Então foi aberto no céu o templo de Deus" quer dizer que a Jerusalém divina foi descoberta e o Santo dos Santos se tornou visível. Segundo a terminologia do povo da sabedoria, o Santo dos Santos significa a essência da Lei Divina e os verdadeiros ensinamentos celestiais do Senhor, que não são alterados no ciclo de Profeta algum, como já explicamos. O santuário de Jerusalém assemelha-se à realidade da Lei de Deus, a qual é o Santo dos Santos, enquanto todas as leis e convenções, os ritos e regulamentos materiais são a cidade de Jerusalém. É por isso que é chamada a Jerusalém celestial. Numa palavra, como neste ciclo o Sol da Realidade fará a Luz Divina brilhar com o máximo esplendor, assim a essência dos ensinamentos de Deus será realizada no mundo existente – será dissipada a treva da ignorância, o mundo se tornará um novo mundo, e a iluminação predominará. Assim aparecerá o Santo dos Santos.
"Então foi aberto no céu o templo de Deus" também significa que pela difusão dos ensinamentos divinos, com o aparecimento dos mistérios celestiais e o nascer do Sol da Realidade, se abrirão por todos os lados as portas da prosperidade, e se tornarão evidentes os sinais da bondade e das bênçãos celestiais.
"E apareceu a arca de seu testamento no seu templo". Quer isso dizer: o Livro de Seu Testamento aparecerá em Sua Jerusalém, estabelecer-se-á a Epístola do Convênio, (1) e o significado do Testamento e do Convênio se tornará evidente. O renome de Deus se estenderá por Leste e Oeste, e a proclamação da Causa de Deus encherá o mundo. Os que violaram o Convênio serão degradados e postos em debandada, enquanto carinho e glória caberão aos fiéis, por se haverem segurado ao Livro do Testamento e se mantido firmes e constantes.
"E sobrevieram relâmpagos e vozes, e trovões, e um terremoto, e uma grande chuva de pedra", o que significa que, depois de aparecer o Livro do Testamento, haverá uma grande tempestade, e os relâmpagos da ira de Deus fulgurarão, ressoará o trovão do rompimento do Convênio, ocorrerá o terremoto das dúvidas, o granizo dos tormentos afligirá os violadores do Convênio, e até aqueles que professam a fé cairão em dificuldades e tentações.
('Abdu'l-Bahá, Respostas a Algumas Perguntas. Editora Bahá'í do Brasil. Mogi Mirin, 2007. p. 55. ISBN: 85-320-OO63-O)
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
O VERDADEIRO SIGNIFICADO DAS PROFECIAS CONCERNENTES À VINDA DE CRISTO
O VERDADEIRO SIGNIFICADO DAS PROFECIAS CONCERNENTES À VINDA DE CRISTO
30 de outubro
Na Bíblia há profecias sobre a vinda de Cristo. Os judeus ainda esperam a vinda do Messias e oram a Deus, dia e noite, para apressar Seu advento.
Quando Cristo veio, eles O denunciaram e mataram, dizendo: "Este não é Aquele a quem nós esperamos. Observai! Quando o Messias vier, sinais e prodígios testificarão que em verdade, Ele é o Cristo. Conhecemos os sinais e as condições, e eles não apareceram. O Messias procederá de uma cidade desconhecida. Sentar-se-á no trono de Davi, e vede, Ele virá com uma espada de aço, e com um cetro de ferro Ele reinará! Cumprirá a lei dos Profetas, conquistará o Leste e o Oeste e glorificará o Seu povo eleito, os judeus. Estabelecerá um reinado de paz, durante o qual até os animais deixarão de ser inimigos do homem. Vede! Pois o lobo e o cordeiro beberão da mesma fonte, o leão e a corça deitar-se-ão no mesmo pasto, a serpente e o rato partilharão do mesmo ninho, e todas as criaturas de Deus repousarão."
Segundo os judeus, Jesus, o Cristo, não preencheu nenhuma dessas condições, porque seus olhos estavam fechados e eles não podiam ver.
Ele veio de Nazaré, um lugar não desconhecido. Não carregou nenhuma espada em Sua mão, nem mesmo uma vara. Não se sentou no trono de Davi; foi um homem pobre. Reformou a Lei de Moisés e não observou o Sábado. Não conquistou o Leste e o Oeste, mas sim, sujeitou-se à Lei Romana. Não exaltou os judeus; ao contrário, ensinou igualdade e fraternidade e repreendeu os escribas e os fariseus. Não inaugurou nenhum reinado de paz, pois durante Sua vida a injustiça e a crueldade chegaram a tal extremo que Ele Próprio foi vitimado e sofreu morte ignominiosa sobre a cruz.
Assim os judeus pensavam e falavam, pois não entendiam as Escrituras nem as gloriosas verdades nelas contidas. A letra eles sabiam de cor, mas do espírito vivificante nada compreenderam.
Escutai, e eu vos explicarei o significado disso. Embora tivesse vindo de Nazaré, que era um lugar conhecido, Ele veio também do Céu. Seu corpo nasceu de Maria, mas Seu Espírito veio do Céu. A espada que ele carregava era a espada da Sua língua, com a qual separou o bom do mau, o verdadeiro do falso, o fiel do infiel e a luz da treva. Sua Palavra era realmente uma espada afiada! O trono no qual Cristo se sentou é o Trono Eterno de onde Ele reina para sempre, um trono celestial, não terreno, pois as coisas da terra passam, mas as coisas celestiais não passam. Ele reinterpretou e completou a Lei de Moisés e cumpriu a Lei dos Profetas. Sua palavra conquistou o Leste e o Oeste. Seu Reino é eterno. Ele exaltou aqueles judeus que O reconheceram. Eram homens e mulheres de nascimento humilde, mas o contato com Ele os fez grandes e deu-lhes dignidade perpétua. Os animais que haviam de viver reunidos significavam as diferentes seitas e raças que, outrora em estado de guerra, agora conviveriam em amor e caridade, bebendo conjuntamente a água da vida da Fonte Eterna -- Cristo.
Assim, todas as profecias espirituais relativas à vinda de Cristo foram cumpridas; mas os judeus fecharam os olhos a fim de que não vissem e os ouvidos para que não escutassem, e a Realidade Divina de Cristo passou por entre eles despercebida, não amada e não reconhecida.
É fácil ler as Escrituras Sagradas, mas, somente com o coração limpo e a alma pura, é que se pode compreender seu verdadeiro significado. Peçamos a Deus ajuda para nos capacitar a entender os Livros Sagrados. Imploremos olhos para vermos, ouvidos para ouvirmos e corações que anseiem pela paz.
A eterna Providência de Deus é imensurável. Ele escolhe sempre certas almas sobre as quais derrama a Generosidade Divina do Seu coração, cujas mentes ilumina com a luz celestial, às quais revela os mistérios sagrados e exibe claro o Espelho da Verdade. Essas almas são os discípulos de Deus, e Sua bondade é infinita. Vós, que sois servos do Altíssimo, sejais discípulos também. Os tesouros de Deus são ilimitados.
O Espírito, soprando através das Escrituras Sagradas, é alimento para todos os que têm fome. Deus, Que tem concedido a revelação aos Seus Profetas, certamente dará de Sua abundância o pão de cada dia a todos aqueles que O procuram fielmente.
('Abdu'l-Bahá, Palestras de Abdu'l-Bahá, pág. 16)
30 de outubro
Na Bíblia há profecias sobre a vinda de Cristo. Os judeus ainda esperam a vinda do Messias e oram a Deus, dia e noite, para apressar Seu advento.
Quando Cristo veio, eles O denunciaram e mataram, dizendo: "Este não é Aquele a quem nós esperamos. Observai! Quando o Messias vier, sinais e prodígios testificarão que em verdade, Ele é o Cristo. Conhecemos os sinais e as condições, e eles não apareceram. O Messias procederá de uma cidade desconhecida. Sentar-se-á no trono de Davi, e vede, Ele virá com uma espada de aço, e com um cetro de ferro Ele reinará! Cumprirá a lei dos Profetas, conquistará o Leste e o Oeste e glorificará o Seu povo eleito, os judeus. Estabelecerá um reinado de paz, durante o qual até os animais deixarão de ser inimigos do homem. Vede! Pois o lobo e o cordeiro beberão da mesma fonte, o leão e a corça deitar-se-ão no mesmo pasto, a serpente e o rato partilharão do mesmo ninho, e todas as criaturas de Deus repousarão."
Segundo os judeus, Jesus, o Cristo, não preencheu nenhuma dessas condições, porque seus olhos estavam fechados e eles não podiam ver.
Ele veio de Nazaré, um lugar não desconhecido. Não carregou nenhuma espada em Sua mão, nem mesmo uma vara. Não se sentou no trono de Davi; foi um homem pobre. Reformou a Lei de Moisés e não observou o Sábado. Não conquistou o Leste e o Oeste, mas sim, sujeitou-se à Lei Romana. Não exaltou os judeus; ao contrário, ensinou igualdade e fraternidade e repreendeu os escribas e os fariseus. Não inaugurou nenhum reinado de paz, pois durante Sua vida a injustiça e a crueldade chegaram a tal extremo que Ele Próprio foi vitimado e sofreu morte ignominiosa sobre a cruz.
Assim os judeus pensavam e falavam, pois não entendiam as Escrituras nem as gloriosas verdades nelas contidas. A letra eles sabiam de cor, mas do espírito vivificante nada compreenderam.
Escutai, e eu vos explicarei o significado disso. Embora tivesse vindo de Nazaré, que era um lugar conhecido, Ele veio também do Céu. Seu corpo nasceu de Maria, mas Seu Espírito veio do Céu. A espada que ele carregava era a espada da Sua língua, com a qual separou o bom do mau, o verdadeiro do falso, o fiel do infiel e a luz da treva. Sua Palavra era realmente uma espada afiada! O trono no qual Cristo se sentou é o Trono Eterno de onde Ele reina para sempre, um trono celestial, não terreno, pois as coisas da terra passam, mas as coisas celestiais não passam. Ele reinterpretou e completou a Lei de Moisés e cumpriu a Lei dos Profetas. Sua palavra conquistou o Leste e o Oeste. Seu Reino é eterno. Ele exaltou aqueles judeus que O reconheceram. Eram homens e mulheres de nascimento humilde, mas o contato com Ele os fez grandes e deu-lhes dignidade perpétua. Os animais que haviam de viver reunidos significavam as diferentes seitas e raças que, outrora em estado de guerra, agora conviveriam em amor e caridade, bebendo conjuntamente a água da vida da Fonte Eterna -- Cristo.
Assim, todas as profecias espirituais relativas à vinda de Cristo foram cumpridas; mas os judeus fecharam os olhos a fim de que não vissem e os ouvidos para que não escutassem, e a Realidade Divina de Cristo passou por entre eles despercebida, não amada e não reconhecida.
É fácil ler as Escrituras Sagradas, mas, somente com o coração limpo e a alma pura, é que se pode compreender seu verdadeiro significado. Peçamos a Deus ajuda para nos capacitar a entender os Livros Sagrados. Imploremos olhos para vermos, ouvidos para ouvirmos e corações que anseiem pela paz.
A eterna Providência de Deus é imensurável. Ele escolhe sempre certas almas sobre as quais derrama a Generosidade Divina do Seu coração, cujas mentes ilumina com a luz celestial, às quais revela os mistérios sagrados e exibe claro o Espelho da Verdade. Essas almas são os discípulos de Deus, e Sua bondade é infinita. Vós, que sois servos do Altíssimo, sejais discípulos também. Os tesouros de Deus são ilimitados.
O Espírito, soprando através das Escrituras Sagradas, é alimento para todos os que têm fome. Deus, Que tem concedido a revelação aos Seus Profetas, certamente dará de Sua abundância o pão de cada dia a todos aqueles que O procuram fielmente.
('Abdu'l-Bahá, Palestras de Abdu'l-Bahá, pág. 16)
Bahá'u'lláh revela e dessela o verdadeiro significado do "Consolador" prometido por Jesus Cristo no Evangelho de segundo João.
Para os dotados de compreensão, está claro e manifesto que, quando o fogo do amor de Jesus consumiu os véus das limitações judaicas e Sua autoridade se tornou evidente e foi em parte obedecida, Ele, o Revelador da Beleza invisível, dirigindo-se a um dia aos discípulos, fez referência a Seu traspasse e, acendendo-lhes no coração o fogo do pesar, disse: "Vou embora e venho outra vez a vós." E em outro lugar disse: "Vou e outro virá que vos há de dizer tudo o que Eu não vos disse, e cumprirá tudo o que Eu disse." As duas declarações significam o mesmo – se meditardes, com percepção divina, sobre os Manifestantes da Unidade de Deus.
(Bahá'u'lláh, Kitab-i-Iqán - O Livro da Certeza, pág 17)
8. Este é o texto que foi revelado outrora, no primeiro Evangelho, de acordo com Mateus, com relação aos sinais que anunciariam o advento dAquele que viria depois dEle. Ele disse: "Ai das mulheres que estiverem grávidas ou amamentarem naqueles dias..."5, até que o Pombo místico, chilreando no mais íntimo da eternidade, e a Ave celestial cantando na Árvore Divina, diga: "Logo após estes dias de tribulação, o sol escurecerá, a lua não terá claridade, cairão do céu as estrelas e as potências dos céus serão abaladas. Então aparecerá no céu, o sinal do Filho do homem. Todas as tribos da terra baterão no peito e verão o Filho do homem vir sobre as nuvens do céu, cercado de glória e majestade. E ele enviará seus anjos com estridentes trombetas."6
9. No segundo Evangelho, de acordo com Marcos, o Pombo da santidade se expressa nos seguintes termos: "Porque naqueles dias haverá tribulações tais como nunca houve, desde o princípio do mundo que Deus criou até agora, nem haverá jamais."7 E cantará depois as mesmas melodias que antes, sem mudança ou alteração. Deus, verdadeiramente, é testemunha da veracidade de Minhas palavras.
10. E no terceiro Evangelho, de acordo com Lucas, está registrado: "Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações perplexas, pelo bramido do mar e das ondas. E as forças dos céus serão abaladas. Então verão o Filho do homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. E quando começarem a acontecer essas coisas, saiba que o reino de Deus está próximo."8
11. E no quarto Evangelho, de acordo com João, está registrado: "Quando vier o Consolador, que vos enviarei por parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de Mim. Também, vós dareis testemunho."9 E em outra parte Ele diz: "Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito."10 E: "Agora vou para aquele que me enviou, e ninguém de vós me pergunta: Para onde vais? Mas porque vos falei assim..."11 E ainda outra vez: "Entretanto, digo-vos a verdade: convém a vós que eu vá! Porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas se eu for, vo-lo enviarei."12 E: "Quanto vier, porém, o Espírito da verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e anunciar-vos-á as coisas que virão."13
12. Tais são os textos dos versos revelados no passado. Por Aquele além do Qual não existe outro Deus, decidi ser breve, pois fosse Eu repetir todas as palavras que foram enviadas aos Profetas de Deus do reino de Sua glória sublime e do Domínio de Sua poderosa soberania, todas as páginas e epístolas do mundo não seriam suficientes para exaurir Meu tema. Referências similares àquelas mencionadas, até mesmo ainda mais sublimes e exaltadas, foram feitas em todos os Livros e Escrituras do passado. Se fosse Meu desejo relatar tudo o que foi revelado anteriormente, certamente seria capaz de fazê-lo em virtude daquilo que Deus Me concedeu dos esplendores de Seu conhecimento e poder. Porém, contento-Me com aquilo que foi mencionado, para que tu não fiques cansado em tua jornada, ou sinta-se inclinado a desistir, ou para que não sejas tomado de tristeza ou pesar, nem te advenha desalento, inquietação ou fadiga.
13. Sê justo em teu julgamento e reflete sobre estas excelsas elocuções. Indaga, então, daqueles que reivindicam conhecimento sem uma prova ou testemunho de Deus, e que permanecem desatentos nestes dias em que o Orbe do conhecimento e da sabedoria alvoreceu no horizonte da Divindade, compartindo com cada um o que lhe é devido e concedendo-lhes o grau e a medida devidos com relação ao que eles possam dizer quanto a estas alusões. Realmente, seu significado tem deslumbrado as mentes humanas, e mesmo as almas mais santificadas têm sido incapazes de descobrir o que elas ocultam da sabedoria consumada e do conhecimento latente de Deus.
(Bahá'u'lláh, Jóias dos Mistérios Divinos, pág. 5-7)
CAMINHANDO PELO VALE DA BUSCA
CAMINHANDO PELO VALE DA BUSCA
LENINE FIUZA LIMA
POETA, PRESIDENTE DA ACADEMIA DE LETRAS DO DISTRITO FEDERAL
AQUELE QUE CAMINHA SOB O SOL
HÁ DE POUSAR À SOMBRA DE UMA FRONDE,
AQUELE QUE CAMINHA SOB ESTRELAS
HÁ DE DEITAR-SE E ADORMECER A FRONTE,
A SEDE HÁ DE FAZÊ-LO RECURVAR-SE
À ÁGUA QUE CANTA ENQUANTO FLUI DA FONTE,
E O BRAÇO HÁ DE ERGUER COM SEUS CLAMORES
NO SILÊNCIO DOS FRUTOS E DA FOME...
NÃO HÁ TEMPO A CONTAR NO VALE EXTENSO
ONDE SE BUSCA DEUS E NUNCA OS HOMENS,
SER PACIENTE COM A LUZ QUE NOS OFUSCA
E, EM NOSSOS OLHOS, A PAISAGEM ESCONDE...
SER PACIENTE COM A NOITE, EM CUJAS TREVAS
O TRIGO E O JOIO, A FLOR E O ESPINHO SOMEM...
É CAMINHAR COMO CAMINHAM OS DIAS
A NASCER E A MORRER, NOS HORIZONTES,
HÁ DEDOS INVISÍVEIS QUE MOVEM
ATRÁS DE CADA ESTRELA E CADA MONTE...
E TECEM A RENDA ETÉREA DAS GALÁXIAS,
E A RAMAGEM DOS CAMPOS VERDEJANTES...
E, SOBRE OS OSSOS DOS ANTEPASSADOS,
OS PASSOS DOS PIEDOSOS CAMINHANTES;
ESSES QUE TRAZEM O CORAÇÃO NO OLHAR
E, NELE, LÁGRIMAS AO INVÉS DE SANGUE...
E GUARDAM, SOBRE AS PÁLPEBRAS VELADAS,
TODAS AS TERRAS, TODOS OS SEMBLANTES
VAGANDO COMO OS VENTOS A LEVAR
NUVENS, ONDAS, SEMENTES, VOZES, NOMES
PELO VALE DA BUSCA, ONDE HÁ UM DEUS
ÀS VEZES PERTO, ÀS VEZES MUITO LONGE!
DESVAIRADOS AQUELES QUE O PROCURAM,
ESTILHAÇANDO RÚTILOS DIAMANTES,
AQUELES QUE O PROCURAM SOB O PÓ
DAS SANDÁLIAS PROFANAS SÃO INFAMES,
MAS HÁ DE SER BENDITO O DESVARIO
E CONSAGRADA A INFÂMIA DOS QUE TANGEM
SUAS ALMAS POR TODOS OS LUGARES,
PORQUE NÃO BUSCAM NADA, HUMILDE OU GRANDE,
MAS, O SENHOR DE TODOS OS ESPAÇOS,
PARA QUE AQUELES QUE TÊM FÉ O ENCONTREM,
A VERGONHA DOS SÁBIOS É QUE FAZ
MENOR ESTE INFINITO QUE É POR ONDE
DEUS SE REVELA, DEUS SE MANIFESTA,
E REINA E VÊ, E JULGA E FALA; E BRANDE
OS RAIOS QUE AFUGENTAM AS GARRAS DA ÁGUIA...
E IMPERA E SENTENCIA E, NO ALTO, BRAME
OS SEUS TROVÕES PARA QUE CALE A PÓLVORA
E, EM TODAS AS IGREJAS, CALE O BRONZE,
AS SÚPLICAS DO HUMILDE SOB OS GRITOS,
OS GEMIDOS DO JUSTO SOB O ALFANGE,
DEUS OUVIRÁ NA LUZ DOS SEUS RELÂMPAGOS,
DEUS OUVIRÁ NOS VENTOS MAIS DISTANTES,
POIS, SE JACÓ DENTRO DA TENDA ESCURA,
GRAÇAS A ARAGEM PURA E REFRESCANTE,
PÔDE SENTIR DO FILHO AUSENTE O ODOR
NA TÚNICA TRAZIDA DE TÃO LONGE,
O QUE DIZER DE DEUS QUE FEZ OS MUNDOS?
O QUE DIZER DE DEUS QUE FEZ OS HOMENS?
EU SEGUIREI BUSCANDO TE... BUSCANDO-TE...
ATÉ QUE, UM DIA... ATÉ QUE, UM DIA, O ENCONTRE!
LENINE FIUZA LIMA
POETA, PRESIDENTE DA ACADEMIA DE LETRAS DO DISTRITO FEDERAL
AQUELE QUE CAMINHA SOB O SOL
HÁ DE POUSAR À SOMBRA DE UMA FRONDE,
AQUELE QUE CAMINHA SOB ESTRELAS
HÁ DE DEITAR-SE E ADORMECER A FRONTE,
A SEDE HÁ DE FAZÊ-LO RECURVAR-SE
À ÁGUA QUE CANTA ENQUANTO FLUI DA FONTE,
E O BRAÇO HÁ DE ERGUER COM SEUS CLAMORES
NO SILÊNCIO DOS FRUTOS E DA FOME...
NÃO HÁ TEMPO A CONTAR NO VALE EXTENSO
ONDE SE BUSCA DEUS E NUNCA OS HOMENS,
SER PACIENTE COM A LUZ QUE NOS OFUSCA
E, EM NOSSOS OLHOS, A PAISAGEM ESCONDE...
SER PACIENTE COM A NOITE, EM CUJAS TREVAS
O TRIGO E O JOIO, A FLOR E O ESPINHO SOMEM...
É CAMINHAR COMO CAMINHAM OS DIAS
A NASCER E A MORRER, NOS HORIZONTES,
HÁ DEDOS INVISÍVEIS QUE MOVEM
ATRÁS DE CADA ESTRELA E CADA MONTE...
E TECEM A RENDA ETÉREA DAS GALÁXIAS,
E A RAMAGEM DOS CAMPOS VERDEJANTES...
E, SOBRE OS OSSOS DOS ANTEPASSADOS,
OS PASSOS DOS PIEDOSOS CAMINHANTES;
ESSES QUE TRAZEM O CORAÇÃO NO OLHAR
E, NELE, LÁGRIMAS AO INVÉS DE SANGUE...
E GUARDAM, SOBRE AS PÁLPEBRAS VELADAS,
TODAS AS TERRAS, TODOS OS SEMBLANTES
VAGANDO COMO OS VENTOS A LEVAR
NUVENS, ONDAS, SEMENTES, VOZES, NOMES
PELO VALE DA BUSCA, ONDE HÁ UM DEUS
ÀS VEZES PERTO, ÀS VEZES MUITO LONGE!
DESVAIRADOS AQUELES QUE O PROCURAM,
ESTILHAÇANDO RÚTILOS DIAMANTES,
AQUELES QUE O PROCURAM SOB O PÓ
DAS SANDÁLIAS PROFANAS SÃO INFAMES,
MAS HÁ DE SER BENDITO O DESVARIO
E CONSAGRADA A INFÂMIA DOS QUE TANGEM
SUAS ALMAS POR TODOS OS LUGARES,
PORQUE NÃO BUSCAM NADA, HUMILDE OU GRANDE,
MAS, O SENHOR DE TODOS OS ESPAÇOS,
PARA QUE AQUELES QUE TÊM FÉ O ENCONTREM,
A VERGONHA DOS SÁBIOS É QUE FAZ
MENOR ESTE INFINITO QUE É POR ONDE
DEUS SE REVELA, DEUS SE MANIFESTA,
E REINA E VÊ, E JULGA E FALA; E BRANDE
OS RAIOS QUE AFUGENTAM AS GARRAS DA ÁGUIA...
E IMPERA E SENTENCIA E, NO ALTO, BRAME
OS SEUS TROVÕES PARA QUE CALE A PÓLVORA
E, EM TODAS AS IGREJAS, CALE O BRONZE,
AS SÚPLICAS DO HUMILDE SOB OS GRITOS,
OS GEMIDOS DO JUSTO SOB O ALFANGE,
DEUS OUVIRÁ NA LUZ DOS SEUS RELÂMPAGOS,
DEUS OUVIRÁ NOS VENTOS MAIS DISTANTES,
POIS, SE JACÓ DENTRO DA TENDA ESCURA,
GRAÇAS A ARAGEM PURA E REFRESCANTE,
PÔDE SENTIR DO FILHO AUSENTE O ODOR
NA TÚNICA TRAZIDA DE TÃO LONGE,
O QUE DIZER DE DEUS QUE FEZ OS MUNDOS?
O QUE DIZER DE DEUS QUE FEZ OS HOMENS?
EU SEGUIREI BUSCANDO TE... BUSCANDO-TE...
ATÉ QUE, UM DIA... ATÉ QUE, UM DIA, O ENCONTRE!
Bahá'u'lláh revela e dessela o verdadeiro significado de "Aflição" predita por Jesus Cristo (Mateus 24: 21, 29)
Quanto às palavras – "Logo depois da aflição daqueles dias" – elas se referem ao tempo em que os homens serão oprimidos e aflitos; o tempo em que nem sequer os mais ligeiros traços do Sol da Verdade restarão, quando o fruto da Árvore do conhecimento e da sabedoria houver desaparecido do meio dos homens e as rédeas da humanidade tiverem caído nas mãos dos insensatos e ignorantes, quando se tiverem fechado os portais da divina unidade e compreensão – desígnio essencial e o mais elevado da criação – quando o conhecimento certo tiver cedido lugar à vã fantasia e a corrupção usurpado a posição da justiça. Condições como essas se verificam, hoje, havendo já as rédeas de cada comunidade caído nas mãos de dirigentes insensatos, que guiam segundo os próprios caprichos e desejos. A menção de Deus, na sua língua, tornou-se um nome vazio; em seu meio, Sua santa Palavra é apenas uma letra morta. Tal é o predomínio de seus desejos, que a lâmpada da consciência e do raciocínio se acha apagada em seus corações e isso, não obstante haverem os dedos do poder divino descerrado os portais do conhecimento de Deus, e a luz do conhecimento divino e da graça celestial ter iluminado e inspirado a essência de todas as coisas criadas, de modo que, em cada uma, desde a menor, se abriu uma porta para o conhecimento e dentro de cada átomo os sinais do sol se manifestaram. E, no entanto, apesar de todas essas múltiplas revelações do conhecimento divino que têm circulado pelo mundo, eles ainda imaginam, futilmente, que a porta do conhecimento está fechada e as chuvas da graça têm cessado. Apegando-se à vã fantasia, desviaram-se para longe do 'Urvatu'l-Vuthqá (20) do conhecimento divino. Parece que os corações não se inclinam para o conhecimento, nem para a porta que a este conduz, e tampouco pensam eles em suas manifestações, havendo em sua vã fantasia encontrado a porta que conduz às riquezas terrenas enquanto que, na manifestação do Revelador do conhecimento, encontram apenas o apelo ao sacrifício. Naturalmente, pois, seguram a primeira com tenacidade, enquanto fogem da última. Embora em seus corações reconheçam ser uma só a Lei de Deus, emitem de toda parte, no entanto, um novo mandamento e proclamam em cada estação um decreto novo. Não se encontram duas pessoas que estejam de acordo sobre a mesma lei, pois não procuram outro Deus senão o próprio desejo, e nenhum caminho trilham exceto o do erro. Vêem no prestígio o objetivo final de seus esforços; e consideram o orgulho e a arrogância como sendo o cumprimento supremo do desejo de seu coração. Julgam que suas sórdidas maquinações sejam superiores ao decreto divino; recusam resignar-se à vontade de Deus; ocupam-se em planos egoístas e seguem pelos caminhos da hipócrita. Com todo o seu poder e todas as suas forças, tentam assegurar-se em suas ocupações triviais, receosos de que o menor descrédito venha a minar-lhes a autoridade ou macular a magnificência que ostentam. Fossem os seus olhos ungidos e esclarecidos com o colírio do conhecimento de Deus, descobririam, certamente, que numerosos animais vorazes se têm juntado para rapina, visando os cadáveres que são as almas dos homens.
Qual a "aflição" maior do que essa a que aludimos? Qual a "aflição" mais penosa do que a de uma alma em busca da verdade, desejosa de atingir o conhecimento de Deus, mas que não sabe onde ir ou de quem buscá-lo? Pois as opiniões têm divergido lastimavelmente e os caminhos que conduzem a Deus se multiplicaram. Essa "aflição" é a característica essencial de toda Revelação. Sem que isso suceda, o Sol da Verdade não se manifestará, porque o amanhecer da luz divina só virá guiar-nos após as trevas da noite do erro. Por essa razão, em todas as crônicas e tradições, há referência a essas coisas, isto é, que a iniqüidade cobrirá a superfície da terra e a escuridão envolverá a humanidade. Como as referidas tradições são assaz conhecidas, e porque este servo deseja brevidade, Ele não citará o texto dessas tradições.
Se essa "aflição" (que significa, literalmente, pressão) fosse interpretada como contração da terra, ou se a vã fantasia dos homens imaginasse calamidades similares destinadas a cair sobre a humanidade, é claro e óbvio que essas coisas jamais sucederão. Eles, seguramente, objetarão que esse requisito da revelação divina não se manifestou. Tal foi, e ainda é seu argumento. A "aflição", porém, significa a falta de capacidade para adquirir conhecimentos espirituais e compreender a Palavra de Deus. Significa que, ao se pôr o Sol da Verdade e ao se partirem os espelhos que refletem Sua luz, sofrerá a humanidade "aflição" e dificuldades, não sabendo aonde se dirigir para ser guiada. Assim Nós te instruímos na interpretação das tradições e te revelamos os mistérios da sabedoria divina, para que tu possas talvez entender o seu significado e ser um daqueles que sorveram do cálice da compreensão e dos conhecimentos divinos.
(Bahá'u'lláh, Kitab-i-Iqán - O Livro da Certeza, pág 21-23)
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